A reconfiguração da ordem internacional, marcada pela ascensão da China e pela reorganização das cadeias globais de valor, recoloca a política industrial e a soberania sanitária no centro do debate sobre desenvolvimento no Sul Global. Neste contexto, o artigo investiga em que medida e a cooperação Brasil–China na área da saúde pode contribuir para a reindustrialização do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Com base em revisão bibliográfica e análise documental de acordos bilaterais, planos estratégicos e instrumentos de política industrial, argumenta-se que essa cooperação evoluiu de intercâmbios técnicos para iniciativas com potencial estruturante, especialmente a partir da pandemia de COVID-19. A crise evidenciou vulnerabilidades históricas do CEIS e impulsionou processos de transferência tecnológica, produção local de vacinas e ampliação de capacidades institucionais. No período pós-2023, a articulação entre cooperação internacional e a Nova Indústria Brasil (NIB) indica tentativa de converter a parceria em instrumento de neoindustrialização. Conclui-se que a cooperação Brasil–China em saúde constitui oportunidade estratégica de transformação produtiva, mas seu resultado permanecem condicionados à consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento capaz de coordenar políticas industriais, fortalecer instituições públicas de ciência e saúde e promover a internalização de tecnologias.
A reconfiguração da ordem internacional, marcada pela ascensão da China e pela reorganização das cadeias globais de valor, recoloca a política industrial e a soberania sanitária no centro do debate sobre desenvolvimento no Sul Global. Neste contexto, o artigo investiga em que medida e a cooperação Brasil–China na área da saúde pode contribuir para a reindustrialização do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) e para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Com base em revisão bibliográfica e análise documental de acordos bilaterais, planos estratégicos e instrumentos de política industrial, argumenta-se que essa cooperação evoluiu de intercâmbios técnicos para iniciativas com potencial estruturante, especialmente a partir da pandemia de COVID-19. A crise evidenciou vulnerabilidades históricas do CEIS e impulsionou processos de transferência tecnológica, produção local de vacinas e ampliação de capacidades institucionais. No período pós-2023, a articulação entre cooperação internacional e a Nova Indústria Brasil (NIB) indica tentativa de converter a parceria em instrumento de neoindustrialização. Conclui-se que a cooperação Brasil–China em saúde constitui oportunidade estratégica de transformação produtiva, mas seu resultado permanecem condicionados à consolidação de um projeto nacional de desenvolvimento capaz de coordenar políticas industriais, fortalecer instituições públicas de ciência e saúde e promover a internalização de tecnologias. Read More
